"Quando sai pra fazer umas matérias sobre as cheias no inicio do inverno pela região de Brasileira-Pi, minha querida cidade, ao final de uma delas, mais precisamente na Barragem de Brasileira, castigada pelo tempo, mas preservada pela natureza e sempre sob a tutela de bons homens simples que dali extraem seu sustento, principalmente no período da sangria do local, me deparei  à distancia, com esse homem que não vi o rosto, apenas sentado ali, à beira d´agua, com sua vara de pescar e o olhar fixo para o infinito.

Por vezes, durante meus passos curtos e lentos, percebi seu movimento em busca de um sinal de alguma piaba ou peixe grande que pudesse se interessar  pela sua isca. O fotografei, de forma rápida sem que ele percebesse e segui meu rumo, mas enquanto a vista dava, eu olhava para trás para observar, se aquele homem conseguiu seu objetivo que era levar um alimento pra casa, ou quem sabe saciar seu prazer pela pesca, feliz talvez pelo bom começo de inverno.

O perdi de vista..Não quis saber seu nome, nem o desfecho, pois este seria um fato corriqueiro em qualquer evento daquele modelo que eu poderia presenciar na minha profissão de repórter fotográfico. Mas o que ficou no martelo do pensamento foi o interesse pela isca. Será que até a natureza se interessa por aquilo que você oferece ou ela se entrega pelo fato da necessidade do momento? 

E se ele não tivesse a isca e o anzol mas uma rede de pesca que você verá na imagem abaixo, no mesmo local e no  mesmo dia que o fotografei, contrastando meus pensamentos? A Isca e o Anzol que de alguma forma é seletiva ou uma rede de pesca que abocanha um maior número do que é necessário e depois separar os bons dos mais ou menos?



Confesso que não sei qual deles levou a melhor (Ou nenhum levou nada), mas ficou uma lição  definida nesta prosa que divido com você: Lute com as armas que você tem, assim como pescador, tenha calma, não  esbraveje, não culpe Deus pelos infortúnios da vida. Continue no seu objetivo que uma hora você vai sentir a fisgada do anzol ou o peso da sua rede.

Não lute contra a maré, você será sufocado por ela, aguarde a calmaria das águas e os bons ventos que elas trazem para o seu rosto. Uma hora você vai dá certo e suas conquistas chegarão. Nunca foi fácil e se for, desconfie desse mar ou desse rio, pois com certeza ele não vai tá pra peixe.

Valorize o empenho e o suor extraído do seu rosto com sua vitória pessoal e que seja ela qual for, que seja abençoada por Deus".

Giva Ferreira (Radialista, Blogueiro, Poeta, Escritor e Compositor. Junho/2020.

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